domingo, 8 de fevereiro de 2009

morrer digno ou vegetar fazendo sofrer


eluana englaro teve um acidente em 18 de janeiro de 1992, ficando em coma 16 anos e sem consciência apenas alimentada por uma sonda. hoje tem 37 anos de vida que pouco viveu. ainda em estado vegetativo, actualmente, encontra-se recolhida numa casa de cura 'beato talamoni' em lecco.
em 1993 os médicos não viam nenhuma esperança de melhorias. em 1999 seu pai inicia a batalha jurídica que autorize a desligar a alimentação artificial, à qual os juízes negaram. em 2005 o supremo tribunal diz que o problema é a falta de provas da vontade real de eluana para,já em 2007, o supremo enviar para a corte de apelação de milão e diz que o juiz pode autorizar o desligar da máquina se o estado do paciente é irreversível e se este estivesse consciente rejeitaria o tratamento. renitentemente até aos nossos dias, gera-se um conflito de atribuições e não se cumpre a sentença.
ainda assim parecia que tal iria decidir-se pela eutanásia, não fosse o surgimento do berlusconi mais que mussolini ter decretado o contrário nem se sabe ainda com que fundamento.
o léxico não se cansa de nos explicar o significado da palavra eutanásia, composta por duas palavras gregas ― eu e thanatos ― e significa, literalmente, "uma boa morte". apesar de nessa época não existirem os avanços tecnológicos de agora e por isso seria mais que provável que ninguém resisitiria, sofreria, tanto.
entre gregos e troianos, romanos e o resto do mundo à flor da pele, certo é que esta causa merece discussão, apesar de não estarmos muito dispostos a isso.
mesmo assim, à luz regrante tugalesa a questão embate no art. 24º n.1 da constituição (c.r.p.) quando afirma: "a vida humana é inviolável." todavia o art. 1º da c.r.p. refere que "portugal é uma república soberana, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade popular e empenhada na construção de uma sociedade livre, justa e solidária." o que significa que o valor da dignidade e da solidariedade pode colidir com o valor de ordem publica expresso no art. 24º n.1.
já platão na "república" e tomas more na "utopia", parecem concordar com a mesma tese.
já sei o difícil é começar a matar para depois matar tudo o que lhe interesse ao abrigo da mesma lei, é perigoso. mas devemos enfrentar mais esse perigo e prosseguir com a máxima mais curta que será a de direito.
assim sendo, berluscosos, recordem-se sempre que NO DIREITO A VIVER COM DIGNIDADE DEVERÁ SEMPRE HAVER O DIREITO A MORRER COM A MESMA DIGNIDADE.

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